terça-feira, 15 de novembro de 2011

1-Desde o feto ao desafeto.

“Nascer é como deixar tudo mudar. Acredito que a cada pessoa que se da um pouca a vida, morre muito. Sem contradições,a vida nós faz morrer a cada dia.”

Uma filha, a primeira neta... sim essa sou eu.E com isso carreguei muitas esperanças,a bagagem que me deram era muito grande,depositaram sonhos em alguém que não pediu, e talvez nem queria estar aqui.Ganhei tesouros durante a vida,e também me arrancaram a maioria deles.
O maior se chamava Helena, minha avó, mãe, meu colo, meu sorriso.Criança se realiza ao saber que ali está alguém que faz as comidas mais gostosas,a proteção até das brigas dos pais.Com ela vivi plenamente o “ser criança” e depois quando me tornei adulta,e ela se foi...perdi chão,teto e afeto.
Brinquei e briguei !fiz tudo que qualquer criança poderia fazer,mais quando a gente cresce percebemos que não fizemos nada,e que tudo estivesse de volta em nossas mãos,brincaríamos como se fosse o ultima vez.A criança quando se torna adulto,se perde a essência,se perde a brincadeira.
Morei em lugares desconhecidos,vivi com o desconhecido.Gritei por não querer estar ali,mais eu sempre estive.Quando somos criança não sabemos o nosso rumo,o destino,o caminho.Apenas vamos aonde nos levam.E quando se é grande a historia pode mudar,mais o sentido é esse mesmo...nunca sabemos o destino.E quando somos crianças mundo o está em nossa mãos,a beleza de viver está presente em tudo,e fazemos as nossas escolhas sem medo,piedade e nem dor.Os anos se passam,e o mundo não está mais presente em nossas mãos,ele nos devora sem medo,piedade e nem dor.
Ser adulto tem lá suas vantagens:
Você morre mais rápido com as milhares de coisas que te consomem,te quebram.
E a única forma de amenizar é voltar a ser criança,com um coração,e um colo pra poder chorar.Chorar é ter o afeto,e voltar a ser um feto,precisando de cuidados ,precisamos que alguém se lembre que você está ali.Uma filha,uma neta,uma criança...essa ainda sou eu.Posso ter mudado de tamanho e escolhas,o meu corpo se passou por milhões de modificações,mais eu ainda sou aquela que chora,e que precisa de um colo.Porque o vazio desse mundo não pode ser maior do que eu.E com todo esse buraco que a saudade deixa de minha vô Hellena,Nena.A dor e o sofrimento fizeram partes de seus últimos dias,e fez parte de mim também.Acredito que um dia ainda a encontrarei.E ficarei no colo dela,como se aquele sim...fosse o ultimo dia.Me lembro de uma musica que sempre ouço quando sinto saudade:
“99 sonhos eu tive e em cada um, um balão vermelho, Está tudo terminado e eu estou em pé. Nesta poeira que já foi uma cidade, se eu pudesse encontrar uma lembrança, só para provar que o mundo existiu, E aqui está um balão, Eu penso em você e o liberto”
Nena-99 red ballons.

Mas a vida não consegue ficar sozinha,e ela chama novamente a sua companheira,e depois que vovó se foi,durante um período de 5 anos,vovô Carlos e vovô Morio se foram..os bons sempre vão. O mundo talvez seja para pessoas ruins. Todos nós se tornamos órfãos...todos nós de certa forma estamos sozinho,nisso que talvez seja o infinito.

“Deixa,se fosse sempre assim.Quente,deita aqui perto de mim. Tem dias,que tudo está em paz. E agora os dias são iguais.Se fosse só sentir saudade,mas tem sempre algo mais. Seja como for,é uma dor que dói no peito. Pode rir agora,que estou sozinho.Mas não venha me roubar.Vamos  brincar perto da usina.Deixa pra lá.A Angra é dos Reis. Porque se explicar,se não existe perigo..Senti seu coração perfeito,batendo à toa e isso dói. Seja como for,é uma dor que dói no peito.Pode rir agora..que estou sozinho. Mas não venha me roubar.Vai ver que não é nada disso. Vai ver que já não sei quem sou.Vai ver que nunca fui o mesmo.A culpa é toda sua e nunca foi...
Mesmo se as estrelas,começassem a cair. A luz queimasse tudo ao redor,e fosse o fim chegando cedo.Você visse o nosso corpo...em chamas!
Deixa,pra lá...
Quando as estrelas,começarem a cair..
Me diz,me diz ‘Pr’onde é que a gente vai fugir?”

Legião Urbana-Angra dos Reis.

Para a Saudade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário